Sigo palavras e busco estrelas.

Inferno e Paraíso – Dante Alighieri

“Assim falava e os olhos fulgentes
Com lágrimas a mim ela volvia,
Para apressar-me a vir assaz potentes.

“A ti vim, pois, como ela requeria;

Da fera te livrei, que da colina

Tão perto já, teus passos impedia.

“Que fazes, pois? Por que, por que domina
Tanta fraqueza o peito espavorido?
Por que ao valor tua alma não se inclina,

“Quando és pelas três santas protegido,
Que na corte do céu por ti se esmeram,
E gozar tanto bem lhe é prometido?” —

Quais flores, que, fechadas, se abateram
Da noite ao frio, e, quando o sol aquece,
Erguem-se abertas na hástea, tais como eram,

Tal meu valor renova e fortalece.
Tanto ardimento o coração me aviva,
Que exclamei, como quem jamais temesse:

“Ó Dama em socorrer-me compassiva!
E tu, que a voz lhe ouvindo, obedeceste,
Cortês ao rogo e com vontade ativa,

“Por teu dizer no peito me acendeste
Desejo tal de vir, que sou tornado
Ao propósito, a que antes me trouxeste.

“Vai, pois nosso querer ’stá combinado.
Serás meu guia, meu senhor, meu mestre!”
Disse-lhe assim. Moveu-se ele; ao seu lado

Pelo caminho entrei alto e silvestre.

 

Trecho Canto II – Inferno

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Olhos alçando, à Dama sublimada,
Divisei que de c’roa era cingida,
Da eterna luz, em refração, formada.

Da região etérea a mais subida
Vista mortal, no pego profundando,

De tão longe não fora dirigida,

Como olhos meus, em Beatriz fitando.
Via-a, porém: a efígie livremente
Descia a mim do vulto venerando.

— “Senhora! Esp’rança minha permanente!
Que não temeste, por me dar saúde,
Teus vestígios deixar no inferno horrente!

“De tantas cousas, quantas eu ver pude
Ao teu grande valor e alta bondade
A graça referir devo e virtude.

“Sendo eu servo, me deste a liberdade,
Pelos meios e vias conduzido,
De que dispunha a tua potestade.

“Seja eu do teu valor fortalecido,
Porque minha alma, que fizeste pura
Te agrade ao ser seu vínculo solvido.” —

Desta arte orei. Lá da sublime altura,
Em que estava sorrindo-se encarou-me;
Depois voltou-se à eterna Formosura.

— “Por chegares” — o velho assim falou-me —
“Ao termo da jornada, como anelas,
A que seu rogo e santo amor mandou-me,

“Teus olhos voem pelas flores belas:
Eles mais hão-de se acender, no esguardo
Para alçar-se ao divino raio, em vê-las.

“E a Rainha do céu, por quem eu ardo
Cheio de amor, nos há de ser beni’na,
Pois sou seu servo, o seu fiel Bernardo.” —

 

Trecho Canto XXXI – Paraíso

 

Por onde andas meu Dante?!

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